Já reparou como as pessoas usam pejorativamente a expressão “viado” para referir-se a um homossexual? Pois a vida é assim. Viado é sempre o outro. Os da nossa família são homossexuais mesmo. Fica até bonito pela pompa no jeito de falar. Igualmente há diversas expressões convenientes. Eu particularmente nunca vi um EMO que se assumisse. Emo é o outro. Quando referindo-se a si mesmo, chovem atributos convenientes… passando pelo rótulo de hardcore melódico… e chegando ao power pop.
Rótulos são sempre desprezíveis, pois invariavelmente são baseados em julgamentos segundo a aparência. Exatamente o tipo de julgamento que somos proibidos de fazer. No entanto, nem todo julgamento é ilícito, já que devemos julgar todas as coisas para retermos apenas o que é bom. Julgar neste contexto refere-se a aplicar os valores do Reino de Deus seguindo a metodologia da reta justiça e da misericórdia.
Porém a conveniência subjuga o bom senso da maioria. Pessoas são rápidas em condenar outras pessoas… e mais rápidas ainda em elogiar outras.
Exemplos? Tenho visto muitas pessoas que idolatram o Caio Fábio. Particularmente simpatizo muito com as idéias do Caio. Com excessão da insistência dele em retrucar outros fanfarrões do meio evangélico. Em meus ouvidos isto soa como um cristianismo hipócrita… incapaz de dar a outra face. Incapaz de perdoar e tocar a vida. Baseado na máxima “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Porém, não possuo autoridade alguma para condenar o Caio. Se ele é um filho do Reino ou apenas uma mula de Balaão, o tempo o revelará. Cabe a mim apenas filtrar suas palavras através do Evangelho… retendo o que é bom; e não me contaminando com o que não faz sentido.
Como eu disse, não tenho nada contra o Caio. Mas estou farto de idiotas que o idolatram. Amam a sua igreja que, por mais que afirmem que não é uma igreja, É UMA IGREJA no sentido mais institucional da palavra. E desprezam todas as demais… como se a verdade estivesse exclusivamente alí.
Esta exclusividade é contraditória com os valores do Reino. Por isso registro minha indignação com aqueles que supervalorizam o trabalho DE FORA e rejeitam a correção dos que estão perto. Fazer parte de UM CAMINHO que não envolva convívio pessoal é o mesmo que buscar o comodismo. Pois não importa o quanto seu pastor seja um saco… os anos revelam que TODOS NÓS TAMBÉM SOMOS.
A perspectiva de que apenas nós é que somos “legais”, é ridícula. A perspectiva de que apenas o pastor tal, ou o ministério tal PRESTA, é mais ridícula ainda. Somos idiotas… mesquinhos, interesseiros… e que buscam apenas conforto e conveniência. Por isso amamos os pregadores de longe… pois não precisamos prestar contas a ninguém. Se bem que não importa a distância. NINGUÉM É OBRIGADO a submeter-se. Mas ao mesmo tempo todos que fazem parte do legítimo CAMINHO não resistem e submetem-se voluntariamente. Não é pela obrigação… mas por que conhecemos o propósito de nossa existência. Sabemos que servir é parte inegociável da vida. Não prestamos para mais nada.
E assumindo que todos são passíveis de errar, torna-se simples conviver com as diferenças. Sem a hipocrisia de dizer que conviver com o pecado alheio nos faz igualmente pecadores. Pois Jesus conviveu com Judas durante todo o seu ministério. E ele sabia tanto das maracutaias financeiras de suas “administração”, quanto dos planos secretos para traí-no “no final do filme”. Ainda sim o Mestre o tolerou.
Por isso caro amigo hipócrita, lute sim contra os valores distorcidos das igrejas em que fazermos parte. Combata a ganância, a mentira e a hipocrisia pastoral. Mas ao mesmo tempo seja paciente e misericordioso. Pois se estes atributos lhe faltarem, definitivamente você será incapaz de caminhar junto com qualquer pastor.
Vacine-se contra o veneno pastoral.
E seja a cura para a Igreja de Cristo.
Não será fácil. Irá doer e custar caro.
Mas talvez não haja outro caminho para você.
Portanto aprenda a honrar os pecadores ao seu redor. E exercite a piedade e misericórdia.
Acredite. As pessoas saberão distinguir o que é falso quando forem confrontadas com a verdade.