segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Escândalo na Casa Civil derruba uma pessoa por dia
A mais nova exoneração é a do diretor de Operações dos Correios
Se o Palácio do Planalto apostava que a crise que sangra o governo seria estancada com a saída de Erenice Guerra da Casa Civil, enganou-se. Uma nova demissão, agora do diretor de Operações dos Correios, coronel Eduardo Silva, mostra que, pelo menos por enquanto, não há luz aparente para o fim dos escândalos. Até o momento, nada menos do que seis subalternos ou familiares da ex-ministra pendurados na administração pública foram defenestrados para colocar em pontos opostos a avalanche de denúncias e a campanha de Dilma Rousseff à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A menos de duas semanas das eleições, a palavra de ordem no Planalto é afastar qualquer personagem envolvido em denúncias. O temor é de que os episódios às vésperas de outubro modifiquem o cenário atual e forcem um segundo turno entre Dilma e José Serra (PSDB). Na cabeça dos petistas, permanece viva a disputa entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Lula, em 2006, que não terminou no primeiro turno em parte graças ao escândalo dos aloprados.

Desde que as primeiras denúncias contra Erenice surgiram, na semana passada, já caíram fora do governo federal os ex-assessores da Casa Civil Vinícius Castro e Stevan Knezevic, a própria ex-ministra e agora o coronel Silva, dos Correios. À frente de postos no GDF por indicação política, o filho de Erenice, Israel Guerra, e o irmão dela, José Euricélio Alves de Carvalho, também não resistiram aos primeiros dias de denúncias e foram exonerados.

Socorro

Se no início do escândalo o Planalto agiu no intuito de socorrer os alvejados por acusações, agora, a degola está cada vez mais afiada. “O governo não vai dialogar com o malfeito. Iremos apurar todas as denúncias e quem estiver envolvido em casos suspeitos será afastado do cargo imediatamente”, afirma o líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza. Um exemplo de como a sobrevida a escândalos na estrutura da Esplanada dos Ministérios está especialmente reduzida desde o início da crise foi a saída do coronel Eduardo Silva da Diretoria de Operações dos Correios.

O ex-diretor da estatal teve de entregar o cargo menos de 24 horas depois de reportagem do jornal Estado de S. Paulo relacioná-lo como testa de ferro do empresário argentino Alfonso Rey na empresa de transporte de cargas MTA Linhas Aéreas. O coronel era o responsável por gerir tanto o contrato com a MTA quanto o serviço prestado pela Via Net. Ao receber a demissão do subordinado, o atual diretor da estatal, David José de Matos, declarou que não faria apelo para que o coronel permanecesse no posto. “Pedir para quê? Não vale a pena. Não adianta dizer a verdade (para a imprensa). Não vou fazer nada. Ele vai tomar a decisão que quiser”, declarou Matos.

Para a oposição, o episódio atual mostra que os Correios e a Casa Civil são dois dos principais focos de corrupção dentro do governo em Lula. Depois do escândalo da cobrança de propina dentro da estatal(2), que culminou na denúncia do Mensalão, em 2005, a empresa e o órgão, situado a um andar da sala do presidente da República, voltam à baila de denúncias. “O que parece é que a empresa estatal continua sangrando desde aquela época. O que motivou as denúncias foi uma briga entre quadrilhas”, dispara o deputado federal Jutahy Júnior (PSDB-BA). “Essas coisas só se tornam públicas quando a briga é interna. Dentro de mecanismos frouxos de ética, transparência e controle do governo, esses casos só vêm à tona quando há conflitos entre quadrilhas”, critica.

No domingo, o Estado de Minas mostrou que uma das empresas responsáveis pelo transporte noturno de cargas da estatal, a Via Net Express Transportes, estava na mira do Ministério Público por irregularidades há três anos. A empresa é investigada pela Operação Selo, da Polícia Federal por irregularidades no contrato com os Correios.

Correios


A primeira crise nos Correios no governo Lula teve início em maio de 2005, quando uma gravação publicada pela revista Veja mostrava o então funcionário da estatal, Maurício Marinho, negociando propina de um empresário para facilitar uma licitação. Durante o vídeo, ele mencionou ter o respaldo do deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) para promover a negociação e ainda descreveu o esquema de corrupção no órgão. Pressionado pela denúncia, Jefferson decidiu contra-atacar e acusou o governo federal de comprar o voto de parlamentares, o chamado escândalo do mensalão. Como resultado da briga interna por poder dentro dos Correios, cerca de 40 pessoas foram indiciadas no STF.

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