segunda-feira, 16 de agosto de 2010



E-mail: Pergunta: Por favor me ajude porque a maioria das igrejas pedem tanto dinheiro e a Congregaçao não? Porque milhares de pastores vivem do trabalho dos fieis? e Paulo ensinava que trabalhava e ensinava de graça? E por que os pastores cobram para dar palavras em igrejas com valores absurdos? aguardo suas respostas obrigado;
Juliana S.G
Olá Querida Juliana,
Graça e Paz,
Primeiramente fico feliz em saber que você está pertinho de mim aqui em São Gonçalo e em poder ser canal de Deus para ajudá-la a compreender certas questões que muitas vezes ficam obscuras na mente de muitas pessoas.
Antes de mais nada quero definir com você alguns conceitos que estão ligados diretamente ao dinheiro. Esses conceitos vão ajudá-la na compreensão dos questionamentos que você faz.
1. Dízimo: É o que a Palavra de Deus nos intrui a entregar a Deus como sua parte em tudo aquilo que ele nos concede. É a décima parte de todo o recurso que vem para nossas mãos. Nos tempos de Abraão na ocasião por falta de uma moeda, eles dizimavam sobre seu bens, como por exemplo produtos agrícolas.
2. Oferta: É aquilo que se oferece graciosamente, voluntariamente à alguém como forma de gratidão por alguma atividade realizada ou benfeitoria executada. Podemos dizer também que oferta é uma dádiva.
3. Salário ou Prebenda Pastoral:  É um valor previamente estipulado por uma assembleia ou por uma diretoria a fim de remunerar o pastor por seus serviços pretados à comunidade (igreja).
POR QUE A MAIORIA DAS IGREJAS PEDEM TANTO DINHEIRO E A CONGREGAÇÃO NÃO?
Eu não vejo dessa forma Juliana. De repente a falta de ênfase não significa dizer que se peça menos. Às vezes em determinado momento quem está ministrando sobre oferta não se sente à vontade para fazê-lo ou não tem talento para tal atribuição ou então, tem uma visão diferenciada a respeito do assunto não dando tanta ênfase assim.
Pode acontecer também de alguns outros fatores contribuírem talvez, para essa diferenciação que você nota e gerar uma certa acomodação por parte de quem dirige a congregação, tais como:
  • A congregação é sustentada integralmente ou parcialmente pela matriz;
  • O imóvel da congregação é próprio;
  • A liderança da congregação por não saber administrar muito bem os recursos, prefere manter o volume que já está acostumado.
POR QUE MILHARES DE PASTORES VIVEM DO TRABALHO DOS FIEIS?
Certamente eu não estou incluído nesses “milhares” querida Juliana. Eu tenho meu trabalho secular, não dependo da minha igreja para sustentar minha família, mas se Deus me chamar para trabalhar integralmente para a igreja assim o farei sem medo e sem vergonha alguma de ser sustentado pela igreja porque entendo que é Deus quem sustenta tanto os membros quanto a mim e minha família.
Eu não vejo pastores que vivem do trabalho dos fiéis. Eu não tenho esse entendimento. Eu entendo que no final das contas todos nós somos totalmente dependentes de Deus, uma vez que tudo que nós temos e tudo que nós somos é pela graça do Senhor. O emprego, a empresa, os negócios, a barraca na feira, no camelódromo que cada irmão ou irmã têm na verdade tem uma origem: Deus.
No evangelho de Lucas 10.7 diz que “…digno é o trabalhador do seu salário.” Essas não são palavras minhas e nenhum outro homem, são palavras de Jesus dirigidas aos obreiros do Evangelho. Os doze apóstolos foram enviados à missão em Israel sob essa Palavra que em Mateus 10.10 também é mencionada. O Apóstolo Paulo citou duas vezes esta palavra, uma vez fazendo referência à sua pessoa e aos obreiros em geral em I Coríntios 9.14 e outra vez falando especificamente sobre os bispos da igreja em I Timóteo 5.18:44.
A escrita como aparece em Mateus 10.10 é um pouco diferente da que ocorre no outro texto: “…digno é o trabalhador do seu alimento”. O uso do termo “salário” em Lucas 10.7 ou “alimento” em Mateus 10.10 não altera o sentido do versículo.
Dessa forma entendemos que um pastor deve receber o que merece e o que ele merece é o que receberá, ou seja, receberá aquilo que dê segurança para sua vida e sua família. E ele vai merecer o que recebe porque não há vergonha nenhuma em ser sustentado pela igreja. Se ele for um homem honrado, digno e trabalhador pela causa do Evangelho, é mais do que merecedor. O Senhor Jesus fala aos obreiros de segurança e honra diretamente ligadas ao sustento que recebem por pregar o evangelho.
É bem verdade que nem todos os pastores trabalham integralmente para a obra de Deus, mas recebem salário. Acho isso errado e creio que a ordem tem que ser restabelecida. E quem restabelecerá essa ordem será o próprio Senhor Jesus, levantando novas pessoas sérias e responsáveis com a sua Obra.
…SE PAULO ENSINAVA QUE TRABALHAVA E ENSINAVA DE GRAÇA?
Paulo tinha o ofício de fabricar tendas. Este ofício lhe auxiliava em suas viagens missionárias uma vez que, em algumas cidades ele não recebia o sustento da igreja (At 18.1-3).
Só que pelo fato do Apóstolo Paulo trabalhar em certos momentos fabricando tendas não significa dizer que ele não aceitasse ofertas. Algumas igrejas inclusive tornaram-se tão gratas ao Apóstolo Paulo, que lhe enviaram sustento até mesmo quando ele estava preso em Roma, como foi o caso da igreja de Filipos (Fp 4.10-19).
O Apóstolo Paulo ensinava de graça sem almejar nada em troca, mas entendia que não receber ofertas voluntárias seria impedir as pessoas que ofertavam de serem abençoadas. E por que lhe digo isso Juliana?
É porque toda oferta é como se fosse uma semente. E quando essa semente é plantada em uma terra fértil ela produz frutos. Se você oferta voluntariamente, ou seja, movida pela alegria de abençoar alguma igreja ou um pastor especificamente e sabe que ambos são terra fértil, dignos de sua honra e confiança, você colherá muitos frutos Juliana. E não são frutos somente materiais e financeiros, mas principalmente espirituais. II Corintios 9:7 – Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.
II Corintios 9:8 – E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra;

Nos tempos do Apóstolo Paulo existia tanta espontaneidade em ofertar aos homens de Deus que não era necessário a famosa “pedição” que você menciona. As pessoas depositavam ofertas aos pés dos Apóstolos.
O pastor pode trabalhar secularmente, não há problema nisso, mas o ideal é que se dedique integralmente ao ministério, como o próprio Apóstolo Paulo ensina I Co 9.14Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho.
Dessa forma ele tem mais tempo para se dedicar ao seu chamado.
POR QUE PASTORES COBRAM PARA DAR PALAVRAS EM IGREJAS COM VALORES ABSURDOS?
Concordo contigo em gênero, numero e grau. Considero isso erradíssimo.
Se o nosso chamado da parte de Deus é para pregar o Evangelho, devemos fazê-lo sem almejar nada em troca. Se exigimos algo em troca é porque não confiamos no chamado de Deus para nossa vida e nosso alvo não é o Reino. O versículo acima exposto de II Co.9.8 não serve somente para membros, mas também para nós pastores. Aquele que prega o Evangelho por amor, sabe que Deus não deixará faltar nada, que Ele suprirá cada uma das nossas necessidades.
O grande problema que alguns fazem aquilo que nem Jesus mandou fazer e aí agem por vontade própria.
Realmente querida Juliana, temos visto verdadeiras “aberrações” em relação a isso. É uma vergonha!
Estão mercadejando o Evangelho, estão fazendo do Evangelho de Jesus Cristo moeda de troca para os seus “devaneios” de luxo e riqueza. Estão fazendo exatamente o contrário do que nos instrui a Bíblia de que não devemos ajuntar tesouros na terra onde a traça e a ferrugem corroem, mas que devemos ajuntar tesouros no céu. (Mt.6.19:20)
Não sou adepto da visão “Franciscana”, entendo que Deus quer nos dar o melhor e nos cobrir de riquezas, não somente à pastores, mas a todos aqueles que servem e adoram ao Senhor em espírito e em verdade. Mas realmente há uma estrapolação de limites e isso tem que ser coibido.
É uma vergonha o que certos pastores tem a “cara de pau” de cobrar. Já seria um absurdo cobrar, mais ainda, o que eles cobram. Para você ter idéia, um desses pastores que está aí na mídia, que prega por exemplo em um Congresso como de Camboriú dos Gideões Missionários, cobra  de R$ 2.500,00 até R$ 4.500,00 dependendo do evento e da localidade. Não digo isso só de ouvir falar, mas de convites que meu pastor já fez e que recebeu essa resposta.
Agora, sabe por que isso acontece?
Porque tem igrejas que pagam.
Têm igrejas que se sujeitam a esses descalabros.
Porque têm pastores que não dedicam à ministração da Palavra, que não oram, que não buscam revelação de Deus na Palavra e aí para encherem suas igrejas, vivem convidando e pagando os “artistas gospel”.
Isso também não se restringe somente a pastores não, isso também é extensivo aos cantores que vão pelo mesmo caminho.
Sabe por que?
Tem muita gente vivendo apenas de nome, de aparência, quando na verdade Cristo está mais preocupado é com o interior. É quando nós chegamos dentro de nossa casa, nosso quarto que nós mostramos quem somos de verdade, e Jesus está vendo tudinho.
  • Não existe quem venda se não houver quem compre.
  • Não existe corrupção sem corruptor.
  • Não existe contrabandista sem receptador
  • Não existe traficante se não houver viciado.
Sabe por que eles cobram e cobram valores absurdos?
Porque o alvo deles não é Cristo, mas eles mesmos e suas vaidades.
Já dizia Salomão: – “Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.” (Eclesiastes 1:2)
Que Deus lhe abençoe Juliana e que eu tenha ajudado de alguma forma.
Shalom Elohim Adonai.
Pr. André Lepre

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