sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Quércia começou sua vida pública no movimento estudantil; saiba mais

Natural de Pedregulho (SP), onde nasceu em 18 de agosto de 1938, Orestes Quércia começou sua vida pública no movimento estudantil, quando era aluno da Escola Normal Livre de Campinas.
Em seguida cursou direito na PUC de Campinas, tendo dirigido o jornal do centro acadêmico. A partir de 1959, começou a trabalhar nos jornais e rádios da cidade.
Lalo de Almeida - 20.jul.2010/Folhapress
Orestes Quércia morre aos 72 anos em São Paulo
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Formou-se em direito em 1962 e, no ano seguinte, foi eleito vereador na legenda do Partido Libertador. Assumiu o mandato em 1964. Com a extinção dos partidos pelo Ato Institucional nº 2, de outubro de 1965, Quércia filiou-se MDB, pelo qual foi eleito deputado estadual em 1966.
Escolhido vice-líder da oposição, foi eleito prefeito de Campinas em novembro de 1968 --pouco antes da edição do AI-5. Em sua gestão, desenvolveu trabalhos em parceria com a Unicamp. Abriu avenidas, pavimentou ruas, construiu uma estação de tratamento de água, construiu casas populares.
Conseguiu eleger seu sucessor nas eleições municipais de 1972, numa conjuntura em que o MDB sofreu grande derrota no país, e começou então a articular sua candidatura ao Senado. Na convenção do partido, em 1974, derrotou o presidente do MDB paulista, Lino de Mattos, e o deputado Freitas Nobre, obtendo mais de 80% dos votos dos convencionais.
Em novembro, competindo contra o senador e ex-governador Carvalho Pinto, candidato do regime militar, obteve uma vitória impressionante: 4,6 milhões de votos contra 1,6 milhão.
Assumiu o mandato em 1975 e, no ano seguinte, passou a criticar a política econômica de Ernesto Geisel e a desnacionalização da economia. Em 1977, porém, foi acusado de corrupção na prefeitura. Houve rumores de que seria cassado pelo AI-5, mas isso não se consumou.
Em 1979, fundou um jornal em Campinas, que foi incorporado em 1981 pelo "Diário do Povo", do qual se tornou sócio. No ano seguinte, perdeu a indicação para ser candidato a governador pelo PMDB para Franco Montoro, mas ficou com a vaga de vice.
Quércia tinha pequena influência no governo --indicou dois secretários e poucos diretores de estatais. Não conseguiu impedir a escolha de Fernando Henrique Cardoso para presidente do PMDB paulista nem a indicação de Mário Covas para prefeito de São Paulo, em 1983. Também não conseguiu emplacar Almino Affonso como candidato a prefeito da capital, em 1985.
Dedicou-se então a fortalecer suas bases no interior: criou trezentos diretórios municipais do partido e, em 1986, já tinha o controle de 70% da legenda no Estado. Na convenção regional do PMDB, Covas e FHC aceitaram concorrer ao Senado.
Apesar disso, sofreu fortes pressões dentro do partido para que desistisse da disputa ao governo. Inicialmente mal posicionado nas pesquisas de intenção de voto, Quércia assumiu a liderança após o início do horário eleitoral gratuito, quando consolidou sua identificação com o PMDB e o Plano Cruzado. Venceu a eleição com 5.578.795 votos (36,1% dos votos totais) graças ao interior (perdeu na capital para Antonio Ermírio, do PTB).
GOVERNADOR
No governo paulista, destacou-se por suas obras (duplicação de várias rodovias, construção do metrô sob a av. Paulista, modernização da Fepasa, construção da usina de Três Irmãos) e pelas acusações de corrupção, que levaram ao afastamento de seu auxiliar Otávio Ceccato.
Em 1988, viu a ala do PMDB liderada por Montoro, Covas e FHC deixar o partido para criar o PSDB. No ano seguinte, não quis arriscar uma candidatura à Presidência, apesar das pesquisas que o apontavam como um dos favoritos, e acabou abandonando o postulante de seu partido, Ulysses Guimarães. No segundo turno, não apoiou nem Lula nem Collor.
Em 1990, conseguiu eleger seu sucessor --Luiz Antonio Fleury Filho-- com dificuldade no segundo turno, mas deixou o Estado muito endividado e com pequena capacidade de investimento. Assumiu a presidência do PMDB em 1991, mas se desgastou em razão das muitas acusações contra ele e seus principais auxiliares. Em 1994, conseguiu ser escolhido candidato do PMDB à Presidência, derrotando Roberto Requião numa prévia, da qual José Sarney desistiu de participar.
Na campanha, porém, teve um desempenho ruim: obteve apenas 2.771.788 votos (4,4% dos válidos), ficando em quarto lugar --chegou atrás de Enéas Carneiro, do minúsculo Prona (7,4% dos válidos). No mesmo ano, seus antigos adversários Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas conseguiram ser eleitos, respectivamente, presidente da República e governador paulista.
Enfraquecido, começou a ver seus aliados --como Alberto Goldmann e Aloysio Nunes Ferreira-- trocarem o PMDB pelo PSDB. Em 1998, tentou novamente o governo paulista, mas obteve apenas 4,3% dos válidos (Covas foi reeleito, e Maluf ficou em segundo lugar).
Quatro anos depois, aliou-se a Lula, mas não conseguiu voltar ao Senado. Obteve 5.552.875 votos (15,8%), mas ficou atrás de Aloizio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB). Em 2006, voltou a tentar o governo do Estado, mas obteve 4,6% --977.695 votos. O tucano José Serra foi eleito no primeiro turno, com Mercadante em segundo.
Em 2008, aproximou-se de Serra e apoiou a candidatura de Gilberto Kassab a prefeito de São Paulo. Neste ano, voltou a tentar o Senado, com o apoio de Serra, mas desistiu quando descobriu o câncer.

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