quarta-feira, 23 de março de 2011

Espada do Espírito

“E não há criatura alguma encoberta
diante dele; antes todas as coisas
estão nuas e patentes aos olhos daquele
com quem temos de tratar”. Hb. 4:13.
Roberto Junquilho
Deus nos fala por meio de sua palavra e coloca a descoberto todo o nosso ser. Não há como escapar. É com o diz o salmista: “Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento” (Sl. 139:2). Ele nos formou e quando Deus faz sua palavra agir pelo Espírito ela nos confronta com a nossa realidade mais profunda, remove a poeira de áreas íntimas onde a ciência não consegue alcançar e penetra até o ponto de dividir alma e espírito. A palavra é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes. (Hb 4:12).
A palavra convence, converte e conforta poderosamente. É a espada do Espírito (Ef. 6:17). Ela é tão forte que derruba fortalezas, ressuscita mortos, faz com que surdos ouçam, cegos vejam e mancos andem. A palavra é poderosa para quebrar o reino de Satanás e estabelecer o reino de Cristo. Ela sai da boca de Deus: “Tinha na mão direita sete estrelas e da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes”. (Ap. 1:16). A palavra transforma o espírito orgulhoso em humilde, o perverso em manso e obediente, e salva os que se acham perdidos.
O sistema do mundo e o pecado fazem parte do processo estabelecido para subverter a palavra de Deus. Valores absolutos são relativizados e hábitos pecaminosos passam a ser vistos como naturais e se arraigam profundamente no ser humano. Paulo, um dos apóstolos abençoados de Jesus Cristo, enumera os frutos da carne na carta aos gálatas 5:19-21 e alerta aos que cometem tais coisas: não herdarão o reino de Deus.
Os atos pecaminosos citados por Paulo se transformaram em práticas aceitáveis, sob o ponto de vista mundano, que recebem estímulos por meio da temática de filmes, novelas, da literatura, da propaganda, em salas de aula e congregações religiosas. Adultério, prostituição, impureza, idolatria, lascívia, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, dissenções, heresias, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, como casamento entre pessoas do mesmo sexo, são vistas como costumes normais, decorrentes da evolução da humanidade.
Como conseqüência natural dessa postura, a sociedade despreza e até zomba do fruto do Espírito. Os sistemas do mundo, sem exceção, excluíram as práticas que levam à redenção do ser humano, afastando-o do reino de Deus: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança . Em um único fruto Deus possibilita a libertação de todos os males, mas este fruto está cada vez mais distante daquilo que as pessoas fazem ou pensam, mesmo entre aqueles que se dizem crentes em Jesus Cristo e que frequentam a igreja. Paulo alerta: “Não nos tornemos convencidos, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros”. (Gl. 6: 24).
Satanás tem colocado no coração das pessoas o orgulho, vaidade, altivez religiosa, a auto-satisfação. Repete o que ele tentou fazer com o Senhor Jesus, de acordo com o registro bíblico de Mateus, Marcos, Lucas e João. O Senhor foi tentado no momento em que, como homem, se mostrava debilitado, faminto e sedento. Ele repreendeu o inimigo pela palavra, colocando por terra a investida maligna. Hoje não deve ser diferente: a arma que temos que vencer as tentações é a palavra de Deus, a espada do Espírito: a Bíblia Sagrada.
É uma espada de dois gumes. Para usá-la é preciso conhecê-la. Em II Tm. 2:15, está escrito: “Procura apresentar-se como obreiro aprovado, que maneja bem a palavra da verdade”. Caso não conheçamos essa arma, corremos o risco de sermos feridos e até mesmo mortos espiritualmente. A espada tem dois gumes, um para salvar, outro, para condenar. Ela nos expõe em nossa totalidade.
Se provoca arrependimento, obediência e nos leva a praticá-la, há salvação (Tg. 1:22); se apenas o vazio remorso e a repetição do pecado, estaremos enganando a nós mesmos. “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pele sua própria concupiscência; depois, havendo a concupiscência concebido dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte (Tg. 1:14,15).
Prega-se hoje, em muitos lugares, um evangelho cujo foco está em conceitos materialistas que geram auto-satisfação. Os falsificadores da palavra ressaltam prosperidade em todas as áreas, estimulam práticas farisaicas e uma religiosidade vazia. O mundo é o modelo e, desse modo, se opõem ao que ordena a verdadeira palavra de Deus, que afirma: “…não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”. (Tg. 4:4).
Se ouvirmos e obedecermos à sua palavra, haverá um repouso eterno. Portanto, levantemos as mãos cansadas e os joelhos vacilantes e cheguemo-nos ao trono da graça, de onde fluem o amor, o perdão, a misericórdia e todo o poder divino. A prática da palavra é que nos leva a esse trono, que passa por uma mudança radical no caráter, na maneira de viver, um verdadeiro nascer de novo, regenerando-nos e nos transformando em novas criaturas (2 Co. 5:17).
A palavra é a regra de quem recebeu Jesus no coração, tornando-se uma nova criatura, um verdadeiro discípulo. E foi para seus seguidores que o Mestre dirigiu esta oração: “ Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livre do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. (João 17: 14-17).

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